Já repararam que ao fazermos de forma diferente o que sempre fizemos da mesma maneira, a magia surge, como uma centelha de luz, inesperada, numa noite escura?
Pois é. Decidi, há algumas semanas, passear o meu cão por lugares diferentes do habitual passeio pelo relvado mais próximo.
Escolhemos, o meu cão (o Tofu) e eu, uma quinta situada perto de casa, com dois velhos carvalhos e muitas oliveiras.
Reparei, à medida que ia conhecendo melhor o local, que a energia emanada destas árvores era bastante forte e , por vezes, parecia seguir-me.
Habituei-me a cumprimentá-las, como amigas. Muitas vezes, em tardes calmas, em que até o Tempo parecia parar, notei que elas correspondiam à minha saudação, com leves movimentos dos ramos.
Não demorei muito a cumprimentá-las com um toque nos seus troncos musgosos ou nas folhas leves como borboletas.
Um dia, ao regressar a casa depois de mais um passeiozinho com o Tofu, encontrei , à porta, um garrafão de azeita que um familiar ali deixou, com um bilhete .Surpreendida – foi a primeira vez que alguém me ofereceu azeite- apressei-me a entrar e atender o telefone que chamava, chamava. Era outra pessoa da minha família…que me dizia ter trazido de Moura, um azeitinho do bom, para mim.
Que engraçado, pensei, sem reflectir no sucedido.
Mais tarde, ao falar com uma amiga sobre esta estranha coincidência, ela exclamou:
-Quando morei num bairro perto de um olival, habituei-me a cumprimentar diariamenta as oliveiras e, sabes, nunca me faltou azeite em casa,nessa altura toda a gente me oferecia azeite…
Ó rama ó que linda rama
Ó rama do olival!

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